Foto IBSA
As modalidades paraolímpicas integrantes do programa dos jogos são constantemente alteradas. Algumas modalidades são inseridas, como o futebol de 5, outras são retiradas.
Foto IBSA
Ainda existem modalidades que, apesar de não serem paraolímpicas, muitas pessoas com deficiência praticam, daí a sua importância.
Neste espaço, trataremos de várias modalidades, independente de serem paraolímpicas ou não, permitindo que as pessoas as conheçam e possam propiciar a outros deficientes a prática do esporte, importante para a saúde e a estima destes indivíduos.
Caso tenha algo a acrescentar ou alguma modalidade que não foi contemplada aqui, entre em contato conosco pelo formulário de contato do site.
O atletismo é uma das modalidades mais praticadas pelas pessoas com deficiência. O que contribui para a difusão da modalidade é o fácil acesso e a naturalidade dos movimentos, já que correr, saltar, lançar e arremessar são ações que proporcionam a sobrevivência do Homem. Buscando correr mais rápido, saltar mais alto, arremessar mais distante, superar seus próprios limites, esses atletas competem em provas de pista (velocidade, meio fundo, fundo e revezamento), de salto (em distância, em altura e triplo), de arremesso / lançamento (de peso, de disco e de dardo), de rua (maratonas) e combinadas (pentatlo). Alguns competem em cadeiras de rodas, outros com próteses, enquanto atletas com deficiência visual total ou parcial participam das provas com um guia vidente.
O atletismo faz parte do programa paraolímpico desde a primeira edição dos jogos, em 1960. Contudo, somente em 1984 que o Brasil conquistou suas primeiras medalhas.
Os atletas competem dentro de suas categorias, que são:
F” representa classes de Field campo), e “T” representa classes de Track (pista).
Os atletas B1 utilizam um atleta-guia para sua condução. É o guia que conduz o atleta pela pista, evitando que invada a raia adversária. Eles são ligados através de uma cordinha pelo pulso ou pela mão. Em provas de campo, o guia posiciona o atleta, dando-lhe a direção.
O atleta B2 pode, opcionalmente, usar o guia; contudo, mesmo sem ele, tem direito a duas raias em provas de pista. Já o B3 não tem direito as duas raias, sendo as regras, as mesmas da federação internacional de atletismo.
Fonte:
CBDC - www.cbdc.org.br
CPB - www.cpb.org.br
A bocha estreou no programa paraolímpico oficial em 1984 na cidade de Nova Iorque, com disputas individuais em ambos os sexos. Foi somente em Atlanta, em 1996, que foi inserida a disputa de duplas.
Competem na bocha paraolímpica, paralisados cerebrais severos que utilizem cadeira de rodas. O objetivo do jogo é lançar bolas coloridas o mais perto possível de uma bola branca chamada de jack ou bolim. É permitido o uso das mãos, dos pés ou de instrumentos de auxílio para atletas com grande comprometimento nos membros superiores e inferiores.
Há três maneiras de se praticar o esporte: individual, duplas ou equipes.
Antes de começar a partida, o árbitro tira na moeda (cara ou coroa) o direito de escolher se quer competir com as bolas de couro vermelhas ou azuis. O lado que escolhe as vermelhas inicia a disputa, jogando primeiro o bolim e uma bola vermelha. Depois é lançada a bola azul. A partir de então, os adversários se revezam a cada lance para ver quem consegue posicionar as bolas o mais perto possível do bolim.
As partidas oficiais ocorrem em quadras cobertas, planas e com demarcações no piso. A área do jogo mede 6m de largura por 12,5m de comprimento.
Para ganhar um ponto, o atleta tem de jogar a bola o mais próximo do bolim. Caso este mesmo jogador tenha colocado outras esferas mais próximas do alvo, cada uma delas também vale um ponto. Se duas bolas de cores diferentes ficam à mesma distância da esfera branca, os dois lados recebem um ponto. Vence quem acumula a maior pontuação.
As partidas são divididas em “ends”, que só terminam após todas as bolas serem lançadas. Um limite de tempo é estabelecido por “end”, de acordo com o tipo de disputa. A contagem começa quando o árbitro indica quem fará o lance até quando a bola pára. Nas competições individuais, são quatro “ends” e os atletas jogam seis esferas em cada um deles. Nas duplas, os confrontos têm quatro partes e cada atleta tem direito a três bolas por período. Quando a disputa é por trios, seis “ends” compõem as partidas. Neste caso, todos os jogadores têm direito a duas esferas por parte do jogo.
Os jogadores são classificados em 4 categorias, visando permitir que as disputas se tornem mais equilibradas.
Fonte:
CPB - www.cpb.org.br
ANDE - www.ande.org.br
No início, somente deficientes visuais competiam no ciclismo paraolímpico. Em 1984, em Nova Yorque, atletas paralisados cerebrais, amputados e deficientes visuais passaram a competir juntos. Em Seul (1988), o ciclismo de estrada entrou no programa oficial de disputas. A partir de Atlanta (1996), cada deficiência passou a competir dentro de sua categoria. Em Sydney (2000), o handcycling (ciclismo com as mãos) teve provas de exibição. Foi somente em 1992 que o Brasil estreiou nos jogos paraolímpicos, ou seja, mais ou menos 10 anos depois do início da prática da modalidade.
Paralisados cerebrais, deficientes visuais, amputados e lesionados medulares (cadeirantes), de ambos os sexos, competem no ciclismo. Existem duas maneiras de ser praticada: individual ou em equipe. As regras seguem as da União Internacional de Ciclismo (UCI), mas com pequenas alterações que visam à segurança dos atletas e ao equilíbrio das competições dentro de suas classificações.
As bicicletas podem ser de modelos convencionais ou triciclos para paralisados cerebrais, segundo o grau de lesão. O ciclista cego compete em uma bicicleta dupla – conhecida como “tandem” – com um guia no banco da frente dando a direção. Para os cadeirantes, a bicicleta é “pedalada” com as mãos: handcycling.
As provas são de velódromo, estrada e contra-relógio. No velódromo, as bicicletas não têm marchas e a competição acontece em uma pista oval que varia entre 250 e 325 metros de extensão. Na estrada, os ciclistas de cada categoria largam ao mesmo tempo. As competições são as mais longas da modalidade, com até 120 km de percurso. As disputas contra-relógio exigem mais velocidade que resistência. Os atletas largam de um em um minuto, pedalando contra o tempo. Nesta prova a posição dos ciclistas na pista não diz, necessariamente, a colocação real em que se encontram, pois tudo depende do tempo. Os paralisados cerebrais só competem na prova de estrada.
Os ciclistas seguem a classificação abaixo:
LC - Locomotor Cycling (Pessoas com dificuldade de locomoção)
Fonte:
CPB - www.cpb.org.br
Em 1978 surgiu o futebol de 7 para paralisados cerebrais, na cidade de Edimburgo, na Escócia. A primeira vez que a modalidade fez parte dos jogos paraolímpicos aconteceu em Nova York, EUA, em 1984; mas somente em 1992, em Barcelona, Espanha, que o Brasil fez sua estréia. Já a primeira medalha só veio em 2000, na Austrália, com o terceiro lugar.
O futebol de sete é praticado por atletas do sexo masculino, com paralisia cerebral, decorrente de seqüelas de traumatismo crânio-encefálico ou acidentes vasculares cerebrais.
As regras são da FIFA, mas com algumas adaptações feitas pela Associação Internacional de Esporte e Recreação para Paralisados Cerebrais (CP-ISRA). O campo tem no máximo 75m x 55m, com balizas de 5m x 2m e a marca do pênalti fica a 9,20m do centro da linha de gol. Cada time tem sete jogadores (incluindo o goleiro) e cinco reservas. A partida dura 60 minutos, divididos em dois tempos de 30, com um intervalo de 10 minutos. Não existe regra para impedimento e a cobrança lateral pode ser feita com apenas uma das mãos, desde que toque no chão antes do contato com outro jogador ou da maneira convencional, onde não existe a limitação.
Os jogadores pertencem às classes menos afetadas pela paralisia cerebral. Ao menos um jogador da classe C5 ou C6 deve estar em campo. Caso haja alguma substituição e não tenha a disposição no banco algum atleta desta classe, a equipe jogará com menos um jogador.
Os atletas são distribuídos em classes de 5 a 8, de acordo com o grau de comprometimento. Durante a partida, o time deve ter em campo no máximo dois atletas da classe 8 (menos comprometidos) e, no mínimo, um da classe 5 ou 6 (mais comprometidos).
No Brasil, a modalidade é administrada pela Associação Nacional de Desporto para Deficientes (ANDE).
Fonte:
CPB - www.cpb.org.br
ANDE - www.ande.org.br
Existem relatos que no Brasil, na década de 50, cegos jogavam futebol com latas ou garrafas, mais tarde, com bolas envolvidas em sacolas plásticas, nas instituições de ensino e de apoio a estes indivíduos, como o Instituto Benjamin Constant, no Rio de Janeiro, Instituto Padre Chico, em São Paulo, Instituto São Rafael, em Belo Horizonte. Em 1978, nas Olimpíadas das APAEs, em Natal, aconteceu o primeiro campeonato de futebol com jogadores deficientes visuais no Brasil. A primeira Copa Brasil foi em 1984, na capital paulista. Contudo, o IPC - Comitê Paraolímpico Internacional reconhece como primeiro campeonato entre clubes, o acontecido na Espanha, em 1986.
Na América do Sul, apesar da realização de alguns torneios anteriores, o primeiro reconhecido e organizado pela IBSA foi a Copa América de Assunção, em 1997, onde o Brasil foi o grande campeão. Participaram 4 seleções: Brasil, Argentina, Colômbia e Paraguai.
O primeiro mundial aconteceu no Brasil, em 1998, em Paulínia, São Paulo. O Brasil foi o primeiro campeão mundial, vencendo a Argentina na final.
A participação do futebol de 5 nos Jogos Paraolímpicos aconteceu, pela primeira vez, em Atenas, 2004. Também, neste evento, o Brasil foi o campeão, ao superar, nos penaltes, os argentinos por 3 a 2.
O futebol de cinco é exclusivo para cegos. As partidas normalmente são em uma quadra de futsal adaptada com uma banda lateral (barreira feita de placas de madeira que se prolonga de uma linha de fundo a outra, com 1metro e meio de altura, em ambos os lados da quadra, evitando que a bola saia em lateral, a não ser que seja por cima desta), mas desde os Jogos Paraolímpicos de Atenas também vem sendo praticado em campos de grama sintética, com as mesmas medidas e regras do futebol de salão.
Cada time é formado por cinco jogadores: um goleiro, que tem visão total e quatro na linha, totalmente cegos e que usam uma venda nos olhos para deixá-los todos em iguais condições, já que alguns atletas possuem um resíduo visual (vulto) que dão, nesta modalidade, alguma vantagem a estes.
Há ainda um guia, o Chamador, que fica atrás do goal, orientando o ataque de seu time, dando a seus atletas a direção do goal, a quantidade de marcadores, a posição da defesa adversária, as possibilidades de jogada e demais informações úteis. É o chamador que bate nas traves, normalmente com uma base de metal, quando vai ser cobrada uma falta, um penalte ou um tiro livre.
Contudo, o chamador não pode falar em qualquer ponto da quadra, e sim, quando seu atleta estiver no terço de ataque. Este terço é determinado por uma fita que é colocada na banda lateral, dividindo a quadra em 3 partes: o terço da defesa, onde o goleiro tem a responsabilidade de orientar; o terço central, onde a responsabilidade é do técnico e o terço de ataque, onde a responsabilidade da orientação é do chamador.
A modalidade, ao contrário do futebol convencional, deve ser praticada em um ambiente silencioso. A torcida, bastante desejada nesta modalidade, deve se manifestar somente quando a bola estiver fora do jogo: na hora do goal, em faltas, linha de fundo, lateral, tempo técnico ou qualquer outra paralização da partida.
A bola possui guizos, necessários para a orientação dos jogadores dentro de quadra. Daí a necessidade do silêncio durante o andamento da partida. Através do som emitido pelos guizos, os jogadores podem identificar onde ela está, de onde ela está vindo e podem conduzi-la.
As regras são, de modo geral, as mesmas utilizadas no futebol de salão convencional. Algumas daquelas que diferem são: 2 tempos de 25 minutos, sendo os 2 últimos de cada tempo cronometrados e um intervalo de 10 minutos; uma pequena área de onde o goleiro não pode sair para realizar defesa nem pegar na bola de 5 por 2 metros; após a terceira falta, é cobrado um tiro livre da linha de 8 metros ou do local onde foi sofrida a falta.
Ao contrário do que se imagina, a modalidade tem muitas jogadas plásticas, com jogadas de efeito inclusive. Muitos toques e chutes a goal. Os jogadores são obrigados a falar a palavra espanhola Voy (vou em português), sempre que se deslocarem em direção a bola, na tentativa de se evitar choques. Quando o juiz não ouvir, ele marca falta contra a equipe cujo jogador não disse o Voy.
No Brasil, o futebol é gerido pela Confederação Brasileira de Desporto para Cegos - CBDC, cujo o site é www.cbdc.org.br; internacionalmente, a gestão cabe a Internacional Blind Sports Federation, cujo site é www.ibsa.es.
O goalball foi criado em 1946 pelo austríaco Hanz Lorezen e o alemão Sepp Reindle, que tinham como objetivo reabilitar veteranos da Segunda Guerra Mundial que ficaram cegos.
Nos Jogos de Toronto (1976) sete equipes masculinas participaram na condição de apresentação. Dois anos depois teve o primeiro Campeonato Mundial de Goalball, na Áustria. Em 1980 na Paraolimpíada de Arnhem, a modalidade iniciou como esporte paraolímpico, somente na categoria masculina. Somente em Nova York, em 1984, que a categoria feminina fez sua estréia nos jogos paraolímpicos. Em 1982, a Federação Internacional de Esportes para Cegos (IBSA) começou a gerenciar a modalidade.
Em 1985, o professor Steven Dubner do CADEVI, entidade de atendimento à pessoas cegas de São Paulo, apresentou a modalidade no Brasil. Entusiasmado, o professor Mário Sérgio Fontes levou para a ADEVIPAR, do Paraná e mais tarde, realizaram o primeiro jogo entre as duas associações. Dois anos depois, em Uberlândia, MG, aconteceu o primeiro campeonato brasileiro, sob a supervisão do professor Mário Sérgio, presidente da antiga ABDC, atual CBDC.
O Brasil ainda está se desenvolvendo na modalidade. Só veio a participar de uma edição dos jogos paraolímpicos em 2004, com a seleção feminina e, somente 4 anos depois, com a masculina.
A quadra tem as mesmas dimensões da de vôlei (9m de largura por 18m de comprimento). De cada lado da quadra tem um gol com nove metros de largura e 1,3 de altura. As linhas de posicionamento dos jogadores, a linha do goal e algumas outras importantes para a orientação dos jogadores são marcadas por um barbante preso com fita adesiva, permitindo que os atletas possam senti-las.
Os atletas são, ao mesmo tempo, arremessadores e defensores. Posicionados no espaço de três metros a partir da linha do goal, os atletas devem defender as bolas lançadas pela equipe adversária e lançá-las em direção do goal adversário, rasteira, fazendo tocar em alguns pontos da quadra. Ganha o jogo quem fizer mais goals dentro dos 20 minutos que dura uma partida, dividido em 2 tempos de 10 minutos.
Como cada equipe fica em seu espaço delimitado, não existe contato entre elas nesta modalidade, tornando-a mais fácil e de aparente segurança para novos esportistas.
As equipes são formadas por 3 titulares e até 3 outros reservas; todos vendados ou utilizando um óculos opaco que impeça a visão de qualquer um dos jogadores. É permitida a participação de todo atleta B1, B2 ou B3, porém, ratifica-se, todos jogam vendados.
A bola possui guizos em seu interior que emite sons – existem furos que permitem a passagem do som – para que os jogadores saibam sua direção. A bola tem 76 cm de diâmetro e pesa 1,25 kg e é mais ou menos do tamanho da de basquete.
O Goalball é um esporte baseado nas percepções tátil e auditiva, por isso não pode haver barulho no ginásio durante a partida, exceto no momento entre o gol e o reinício do jogo ou nos intervalos, paradas técnicas e fim do jogo.
Fonte:
CPB - www.cpb.org.br
CBDC - www.cbdc.org.br
O halterofilismo entrou nos jogos paraolímpicos em 1964; porém somente os homens podiam competir. Foi somente em 2000 que as mulheres também conseguiram o direito de participar das competições da modalidade. E são mais de 100 países que praticam o halterofilismo, aumentando ano-a-ano.
No início, somente os lesionados medulares podiam competir; contudo, hoje em dia, atletas com deficiência nos membros inferiores e com paralisia cerebral também competem.
A modalidade consiste no famoso supino, onde o atleta fica deitado em um banco e, com ou sem a ajuda de um apoiador, retira o peso do suporte, estendendo os braços e trazendo a barra até o peito, flexionando-os e completa o movimento colocando a barra no suporte. Este movimento pode ser feito 3 vezes, computando o de maior peso e com perfeição. Não se pode apoiar a barra no peito.
Ao contrário do halterofilismo convencional, onde se busca a explosão de força, no paraolímpico se busca a perfeição do movimento através da força máxima.
São 10 categorias masculinas e 10 femininas.
É a única modalidade em que os atletas são categorizados por peso corporal, como no halterofilismo convencional. São aceitos para competir atletas amputados dos membros inferiores, les autres com limitações mínimas, atletas das classes de paralisia cerebral e atletas das classes de lesões na medula espinhal.
Os competidores precisam ter a habilidade de estender completamente os braços com não mais de 20 graus de perda em ambos cotovelos para realizar um movimento válido de acordo com as regras.
Como não existe uma classificação desportiva, restringindo-se a uma classificação médica, o site da ANDE apresenta a seguinte classificação:
Fonte:
CPB - www.cpb.org.br
ANDE - www.ande.org.br
O judô é a única arte marcial dos Jogos Paraolímpicos. Essa modalidade se tornou paraolímpica em Seul, 1988. A estréia das mulheres foi feita em 2004, nos Jogos de Atenas.
No Brasil, a modalidade chegou no início da década de 80. A primeira participação internacional foi em 1987, no torneio de Paris.
No ano seguinte, em Seul, o país conseguiu 3 medalhas de bronze, iniciando uma grande trajetória de conquistas nesta modalidade.
A modalidade, através de seus ensinamentos orientais, é muito importante para o cotidiano dos deficientes. Outra coisa importante é o aperfeiçoamento do equilíbrio, igualmente importante para os deslocamentos do dia-a-dia destes indivíduos.
O judô é praticado por atletas cegos e com deficiência visual que, divididos em categorias por peso, lutam segundo as mesmas regras da Federação Internacional de Judô.
Poucos aspectos diferem do judô convencional. São eles: os atletas iniciam a luta com a pegada feita (um segurando no quimono do outro), a luta é interrompida quando os oponentes perdem o contato e não há punições para quem sai da área de combate.
Judocas das três categorias oftalmológicas, B1 (cego), B2 (percepção de vulto) e B3 (definição de imagem) lutam entre si. O atleta B1 é identificado com um círculo vermelho em cada ombro do quimono.
O sistema de pontuação é igual ao olímpico e sua prática pode ser feita entre atletas cegos e não-cegos.
Fonte:
CBDC - www.cbdc.org.br
A natação, assim como o atletismo, basquete em cadeira de rodas, está presente no programa oficial de competições desde a primeira Paraolimpíada em Roma (1960). Homens e mulheres sempre estiveram nas piscinas em busca de medalhas. O Brasil conquistou suas primeiras medalhas em 1984, na Inglaterra.
A modalidade pode ser praticada por qualquer pessoa, de qualquer idade. Muitos dos grandes atletas iniciaram na natação como terapia e isso ocorre muito entre os atletas deficientes, em especial, os atletas com paralisia.
Na natação competem atletas com todos os tipos de deficiência (física e visual) em provas como nos 50m aos 400m no estilo livre, dos 50m aos 100m nos estilos peito, costas e borboleta. O medley é disputado em provas de 150m e 200m. As provas são divididas na categoria masculino e feminino, seguindo as regras do IPC Swimming, órgão responsável pela natação no Comitê Paraolímpico Internacional. Contudo, em competições nacionais ou até como apresentação, qualquer distância pode ser feita entre estes deficientes, inclusive, travessias.
As adaptações, são feitas nas largadas, viradas e chegadas. Os nadadores cegos recebem um aviso do “tapper”, por meio de um bastão com uma ponta de espuma, quando estão se aproximando das bordas. Aqueles que são cego total, S11, necessitam competir com um óculos opaco. A largada também pode ser feita na água, no caso de atletas de classes mais baixas, que não conseguem sair do bloco. As baterias são separadas de acordo com o grau e o tipo de deficiência.
O atleta é submetido à equipe de classificação, que procederá a análise de resíduos musculares por meio de testes de força muscular; mobilidade articular e testes motores (realizados dentro da água). Vale a regra de que quanto maior a deficiência, menor o número da classe. As classes sempre começam com a letra S (swimming) e o atleta pode ter classificações diferentes para o nado peito (SB) e o medley (SM).
Uma definição mais detalhada das classificações dos deficientes físicos está no site da ANDE e segue abaixo:
Fonte:
CPB - www.cpb.org.br
ANDE - www.ande.org.br
O powerlifting é um tipo de levantamento de peso pouco difundido no Brasil. O esporte começou a se desenvolver na década de 60 e é praticado por atletas dos 2 sexos.
A modalidade para atletas cegos é bastante difundida no leste europeu e na Ásia, principalmente na Turquia e no Irã.
Competidores das três classificações oftalmológicas (B1, B2 e B3) competem juntos e as regras são exatamente as mesmas das competições convencionais.
Diferentemente do levantamento olímpico (weightlifting), no qual o competidor levanta a barra e a mantém sobre sua cabeça, a competição de powerlifting consiste em três movimentos:
Para cada atleta são permitidas três tentativas de cada movimento e a melhor é valida para o final da competição. Vence quem conseguir levantar a barra mais pesada proporcionalmente ao seu peso.
O powerlifting para cegos ainda não é uma modalidade paraolímpica.
O powerlifting para cegos é uma das modalidades mais recentes no Brasil. Os primeiros atletas a representarem o país em competições internacionais foram os integrantes da equipe que disputaram os III Jogos Mundiais da IBSA, acontecido em São Paulo, de 28 de julho a 08 de agosto de 2007.
Rosa Maria Brito, a Rosinha, é a principal atleta brasileira. Rosinha compete na categoria até 90 kg e detém dois recordes mundiais, ambos estabelecidos nos Jogos Mundiais: agachamento (110kg) e supino (65kg).
Fonte:
CBDC - www.cbdc.org.br
Nos anos 80, a Superintendência de Desportos do Rio de Janeiro (SUDERJ) iniciou um programa da reabilitação com o remo, que foi batizado de “Remo Adaptado”. Pessoas com deficiência física (lesão medular, pólio e paralisia cerebral), mental e deficientes auditivos se beneficiaram do programa. Além da reabilitação e lazer, o objetivo era melhorar a qualidade de vida, por meio da inserção social e dos benefícios à saúde, ambos oriundos da prática esportiva. Tudo isso, porque o remo permite a inserção de atletas, com vários tipos de deficiência e até sem deficiência, em torno de um objetivo, o esporte. Este projeto seguiu até o início dos anos 90 e foi o primeiro passo na direção da criação do remo adaptado no país.
O remo é tradicional no Brasil. Foi através das equipes de remo que surgiram grandes clubes, como Vasco da Gama, Flamengo, Botafogo. E desde aquela ação, a modalidade começou a produzir novos apaixonados integrantes.
Em 2001, a Federação Internacional de Remo (FISA) solicitou, formalmente, ao Comitê Paraolímpico Internacional (CPI), a inclusão do remo nos Jogos Paraolímpicos de 2008. Antes porém era preciso realizar dois campeonatos mundiais de remo adaptável, até 2005, e conseguir a participação de 24 nações em eventos adaptáveis no campeonato mundial de 2004.
No Campeonato Mundial de Remo de 2002, sete tripulações de diferentes nações competiram. Ainda em 2002 foi assinado o Protocolo de Remo Adaptável de Sevilha, onde a FISA e 36 de suas filiadas (Federações Nacionais, inclusive o Brasil) se comprometeram a desenvolver oportunidades para atletas com deficiência poderem remar e a inscrever tripulações formadas por atletas com deficiência no Mundial de 2004. Pelo menos mais seis Federações Nacionais assinaram o Protocolo, desde aquela data. Com este novo panorama mundial, em julho de 2005 a CBR reativou seu Departamento de Remo Adaptável. Contudo, em cidades como Rio de Janeiro, Salvador, Santos e Brasília, grupos de deficientes já reiniciaram a prática da modalidade desde 2003.
O remo estreiou nos jogos paraolímpicos em 2008, na China. O termo "adaptado" quer dizer que o equipamento é modificado para a prática do esporte e não propriamente "adaptado" a cada atleta. A Federação Internacional de Remo (FISA) é o órgão máximo do Remo mundial e no Brasil, a Confederação Brasileira de Remo - CBR, é quem desenvolve a modalidade.
As corridas são realizadas num percurso de 1000 metros para todas as quatro classes.
São quatro categorias de competição: Single Skiff Masculino, Single Skiff Feminino, Doublé Skiff Misto Quatro Com Misto. Cada uma delas pode ser composta por atletas com diferentes tipos de deficiências que são classificados de acordo com a capacidade funcional empregada:
Fonte:
CPB - www.cpb.org.br
URECE - www.urece.org.br
A modalidade começou a ser praticada em 1977, no Canadá. Foi somente em 1996, em Atlanta, que o Rúgbi em cadeira de rodas foi incluído no programa paraolímpico, porém, somente com a presença dos homens. Só na próxima edição, em 2000, as mulheres passaram a participar das competições paraolímpicas.
O rúgbi lembra o futebol americano, por ter quase os mesmos objetivos e ser um jogo que envolve forte contato físico. As equipes são formadas por quatro jogadores, com oito reservas. Esta grande quantidade de suplentes é explicada pela intensidade das colisões entre os competidores e suas cadeiras.
Homens e mulheres tetraplégicos atuam juntos. É necessário ter agilidade para manusear a bola, acelerar, frear e direcionar a cadeira. Não é permitido o choque entre os jogadores e somente entre cadeiras. Caso contrário, é marcada uma penalidade.
São utilizadas quadras, como a de basquete, ao invés dos campos de grama. As dimensões são: 15m de largura por 28m de comprimento. A quadra é dividida em duas áreas. Há um círculo central e duas áreas-chave (como uma grande área em um campo de futebol), que ficam à frente das linhas de gol.
Os jogadores de ataque só podem ficar dentro da área-chave por máximo de dez segundos, enquanto três jogadores de defesa têm o direito de permanecer ali por tempo indeterminado. A entrada do quarto jogador na área-chave resulta em uma penalidade.
O início do jogo funciona como no basquete: dois atletas permanecem dentro do círculo central na disputa pela bola, jogada ao alto pelo árbitro. Os atletas podem conduzí-la sobre suas coxas, passá-la para um companheiro de time ou quicá-la. O jogador pode ter a posse da bola por tempo indeterminado, mas precisa quicá-la pelo menos uma vez a cada 10 segundos. O time que tem a posse da bola não pode demorar mais de 12 segundos para entrar no campo do oponente e 40 segundos para finalizar a jogada.
O objetivo do jogo é fazer goals, que é passar a bola na linha delimitada entre as traves, também chamadas de End Zone. O goal é válido se ao menos duas rodas da cadeira ultrapassar a linha do goal e a bola deve estar nas mãos do jogador.
As partidas são divididas em quatro períodos de oito minutos cada. Entre o primeiro e o segundo quarto, há uma pausa de um minuto. Assim também ocorre entre a terceira e a última etapas. Do segundo para o terceiro período, cinco minutos são dados para o intervalo. Caso o jogo termine empatado, uma prorrogação de três minutos é disputada. Durante o tempo normal, assim como no basquete, cada time tem direito a dois tempos técnicos e cada atleta tem direito a quatro tempos de 30 segundos. Na prorrogação, um tempo técnico é permitido para ambas as equipes.
A classificação dos jogadores vai de 0,5 a 3,5, estabelecendo-se 7 categorias. As mais altas correspondem àqueles mais funcionais.
Fonte:
cpb - www.cpb.org.br, texto
ABRC - www.rugbiabrc.org.br, regras
| Anexo | Tamanho |
|---|---|
| Rules-2006-2008RegrasRugbyPortuges.pdf | 629.09 KB |
O tiro passou a fazer parte do programa paraolímpico na Paraolimpíada de Toronto, em 1976, somente entre os homens; na edição seguinte, as mulheres passaram a competir, inclusive, nas provas mistas. Em 1984, as provas mistas deixaram de existir no programa paraolímpico, voltando, somente, em 1992, em substituição às mulheres. Somente em Atlanta, 1996, foi que as 3 categorias estiveram juntas novamente.
No Brasil, a modalidade começou a ser praticada em 1997, no Centro de Reabilitação de Polícia Militar do Rio de Janeiro. No ano seguinte, o País foi representado pela primeira vez em um torneio internacional, realizado na cidade de Santander, na Espanha. 4 anos mais tarde, o Comitê Paraolímpico Brasileiro - CPB realizou clínicas que ajudaram na disceminação da modalidade pelo Brasil. Em 2003, a equipe brasileira foi bronze por equipes no mundial da Holanda, mas foi somente em 2008, na China, que o Brasil teve seu primeiro representante na modalidade em paraolimpíadas.
Pessoas amputadas, paraplégicas, tetraplégicas e com outras deficiências locomotoras e visuais podem competir tanto no masculino como no feminino.
As regras variam de acordo com a prova, a distância, o tipo do alvo, posição de tiro, número de disparos e o tempo que o atleta tem para atirar. Em cada competição as disputas ocorrem numa fase de classificação e numa final. As pontuações de ambas as fases são somadas e vence quem fizer mais pontos.
O alvo é dividido em dez circunferências que valem de um a dez pontos e são subdivididas, cada uma, entre 0.1 e 0.9 pontos. A menor e mais central circunferência é a que vale mais, dez pontos.
A tecnologia está sempre presente na modalidade. Durante os Jogos Paraolímpicos, os alvos são eletrônicos e os pontos são imediatamente projetados num placar. Nem as roupas e as armas utilizadas fogem da evolução tecnológica.
Rifles e pistolas de ar, com cartuchos de 4.5mm, são utilizados nas provas de 10 metros de distância. Já nos 25 metros, uma pistola de perfuração é utilizada com projéteis de 5.6mm. Rifles de perfuração e pistolas são as armas das provas de 50m, também com as balas de 5.6mm de diâmetro.
A classificação do Tiro é dividida em três classes principais:
Os atiradores deficientes visuais utilizam uma tecnologia que, através do som, detectam o alvo e a pontuação mais central. Um bip fica soando no ouvido do atirador e quando este bip aumenta a freqüência, mais próximo está do centro do alvo.
Fonte:
CPB - www.cpb.org.br
No início da década de 80, a Vela Paraolímpica começou a ser praticada em países da Europa. Mais foi somente em 1996, em Atlanta, que a vela participou da primeira edição dos jogos paraolímpicos, mas como apresentação. Somente em Sydney, em 2000, que a vela participou como integrante do programa oficial dos jogos.
No Brasil, a vela teve início em 1999 com o Projeto Água-Viva, desenvolvido a partir de uma parceria entre a Classe de Vela Day Sailer, o Clube Paradesportivo Superação e o Clube Municipal de Iatismo em São Paulo. Pouco tempo depois, o CPB encampa a idéia.
No final de 2003, chegaram ao Brasil os primeiros barcos da classe 2.4mR. a estréia das embarcações aconteceu nos Jogos Paraolímpicos do Brasil, disputados em São Paulo, em maio de 2004.
Os velejadores paraolímpicos brasileiros treinam em dois tipos de barcos: o 2.4mR, oficial das Paraolimpíadas, e o Day Sailer, barco de 5 metros sem quilha, que não é oficial, mas que pelo seu baixo valor está sendo utilizado como alternativa provisória ao Sonar, o barco de equipes oficial.
A Vela paraolímpica segue as regras da Federação Internacional de Iatismo (ISAF) com algumas adaptações feitas pela Federação Internacional de Iatismo para Deficientes (IFDS).
Dois tipos de barco são utilizados nas competições internacionais. Os barcos da classe 2.4mR são tripulados por um único atleta, pesam 260 quilos e possuem 4,1m de comprimento. Os barcos da classe sonar são tripulados por uma equipe de três pessoas, que deve ser classificada em função dos tipos de deficiência, que varia de 1 a 7, podendo ter a somatória de 12 por barco. Esses barcos são maiores pesando cerca de 900Kg e medindo cerca de 7m. Tanto o 2.4mR como o Sonar são barcos de quilha, uma peça de metal situada abaixo do casco do barco que impede que ele vire, trazendo segurança para a modalidade, essencial para a prática por pessoas com deficiência.
Podem participar da vela adaptada, pessoas com deficiência visual ou motora.
As competições são chamadas de regatas, e os percursos são sinalizados com bóias. Duas rotas devem ser percorridas pelos velejadores. A sinalização dos trajetos é alterada de acordo com as condições climáticas do dia. Caso a direção e a força do vento se alterem, as bóias são reposicionadas. A organização de cada torneio tem um barco com pessoas responsáveis por monitorar as condições do vento e alterar a colocação da sinalização do percurso.
Em ambos os tipos de embarcações, as competições consistem em uma série de nove disputas em separado. Ganha cada prova quem percorrer o trajeto em menor tempo. O vencedor conquista um ponto, o segundo fica com dois e assim por diante. Ao final das nove disputas, o pior resultado é descartado e quem tiver a menor soma de pontos é declarado campeão.
Na classe de barcos SKUD-18, os velejadores são classificados como TPA ou TPB. São TPA quando eles são adjudicados em um ponto pela classificação funcional, ou quando completando mais de um ponto, têm a pontuação funcional do membro superior em 80 pontos ou menos na combinação de ambos os braços, juntamente com uma perda de 30 pontos no melhor braço.
Os velejadores são classificados como TPB quando eles têm ao menos uma deficiência mínima que os torna eligíveis para velejar. Pelo menos um dos velejadores precisa ser mulher. Para a classe de barcos 2.4mR os velejadores apenas precisam possuir uma deficiência mínima.
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