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O CORAÇÃO DO CASARÃO

O Instituto Benjamin Constant foi minha casa de meus 4 até meus 19 anos e, ainda a é, visto que estou todos os dias logo pela manhã, realizando meus treinamentos naquele excelente espaço esportivo que se montou lá.

Nossa casa vem sofrendo muito. São tentativas de fechá-la, de mudar seu foco, de diminuir sua importância. Os atuais gestores, mesmo sabendo dos esforços que têm sido feitos, ainda não perceberam, eu acho, o principal: para lutarmos contra qualquer violência que queiram fazer contra o IBC, temos que ressuscitá-lo.

Sim, ressuscitá-lo para a educação de qualidade; para a reabilitação dos deficientes adquirido em idade adulta; para a capacitação de alunos, ex-alunos e demais comunidade; para a pesquisa; e, como não, para atividades como esporte, música e/ou cultura de modo geral, lazer e tudo mais que possa trazer educação, capacitação, oportunidades profissionais e de independência financeira para pessoas com deficiência visual.

Não estou aqui para criticar aquilo que tem sido feito, afinal, não sei ainda tudo que já foi feito; também não quero apresentar tudo isso como o único caminho, pois sei que uma comunidade tão grande como a do IBC, pode e deve apresentar outras soluções. Mas acho que temos que fazer mais, muito mais pelo nosso casarão. E aí, ofereço minha ajuda àqueles que desejam o IBC de volta, para os que não se imaginam sem o nosso casarão. Ofereço meu apoio aos atuais gestores e aos futuros, já que teremos eleições este ano. Tudo isso, porque sei que só, ninguém faz nada!

Quando o IBC está vazio, durante o período de férias, o silêncio daquele imenso mundo nos fala muita coisa. Nos diz que ele quer sobreviver, que deseja ser a casa de muitos outros deficientes, como hoje é a minha. Eu gosto tanto de lá que até ficar só no IBC, para mim, é legal. Sempre disse a todos que sonhava em morar no IBC, sabe, tê-lo para mim, o que é melhor que vê-lo se transformando em organismos públicos com finalidade diversa de sua atual. Contudo, quando as aulas retornam, e com ela, toda a vida, a alegria, o barulho das crianças, do refeitório, das salas de aula, eu percebo o meu egoísmo: como querer algo daquele tamanho só para mim? Como querer algo que vibra com tanta vida, com tanta diversidade?

Temos sim é que nos unir para impedir, afastar, convencer a todos que desistam de uma vez por todas de violentar aquela que foi a casa de tanta gente, o local do saber, a fonte de tantos poemas, um lugar que traz a história de muitos!

Temos que afastar dali aqueles que não querem um IBC grande, forte, saudável! E, ao mesmo tempo, atrair os apaixonados pela história, pelas coisas boas e com vontade de ajudar o nosso casarão!

Foi dali que surgiram tantos músicos, poetas, profissionais liberais de respeito, funcionários públicos respeitados, professores, gestores, atletas e tanta diversidade... Eu não acredito que uma comunidade tão grande, tão diferente, com raízes tão sólidas; eu não acredito que seremos incapazes de evitar o pior!

SANDROLAINA na Web!

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